
O armazenamento geológico de dióxido de carbono – um dos principais gases responsáveis pelo efeito-estufa associado ao aquecimento global – tem sido cada vez mais apontado como uma solução para deter as mudanças climáticas. Embora a maioria dos especialistas defenda essa alternativa, o armazenamento de CO2 no subsolo ainda suscita polêmica.
“A ideia é capturar CO2 de grandes fontes industriais (refinarias de petróleo, indústrias de cimento, mineradoras, vidrarias, siderúrgicas e outras) antes de sua entrada na atmosfera e armazená-lo muitos metros abaixo do solo, em formações geológicas seguras, onde ficaria preso por longo período, de pelo menos 500 anos”, explica John Bradshaw. Esse geólogo australiano é chefe-executivo do Greenhouse Gas Storage Solutions – subsidiária de uma empresa de consultoria petrolífera – e um dos cientistas do Painel Intergovernamental sobre Mudanças Climáticas (IPCC).
“Mas não é possível armazenar o CO2 que já está no ar. Nessa fase ele está pouco concentrado e provém de inúmeras pequenas fontes espalhadas”, ressalta o geólogo João Marcelo Ketzer, coordenador do Centro de Excelência em Pesquisa sobre Armazenamento de Carbono, que resultou de uma parceria da Petrobras com a Pontifícia Universidade Católica do Rio Grande do Sul (PUCRS). A injeção de dióxido de carbono no subsolo não soluciona, portanto, o crescente problema da emissão de CO2 por meios de transporte.
“O volume de CO2 que geramos é tão grande que precisamos pensar em diferentes modos de reduzir as emissões”, diz John Bradshaw. Segundo ele, os projetos de sequestro de carbono em curso estocam apenas uma pequena parte do CO2 que deve ser removido da atmosfera para atingirmos os níveis desejados. Assim, captura e estocagem geológica de CO2 surgem como opção de grande potencial, sobretudo se associadas a outras alternativas, como desenvolvimento de novas fontes de energia renovável e obtenção de maior eficiência energética.
Para João Marcelo Ketzer, o armazenamento de CO2 é uma tecnologia de transição, enquanto os combustíveis fósseis não forem substituídos por fontes alternativas de geração de energia. “Temos que mudar nossa realidade de consumo, que hoje é de aproximadamente mil barris de petróleo por segundo.”
Os reservatórios
São quatro os principais tipos de reservatórios geológicos para armazenamento de CO2: formações geológicas oceânicas, aquíferos salinos (impróprios para uso humano), camadas de carvão e reservatórios de gás e petróleo, em operação ou não. O dióxido de carbono é capturado ainda nas fontes de emissão, antes de entrar na atmosfera. Em seguida, o gás é comprimido e transportado em estado líquido para ser armazenado na estrutura geológica adequada.
Riscos
Os detratores do armazenamento de CO2 costumam apontar o risco de vazamento do gás injetado em formações geológicas como uma de suas principais desvantagens. No momento, estão em curso vários estudos para avaliar essa hipótese. Como os reservatórios apresentam riscos específicos, cada um deles deve ser avaliado detalhadamente.
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